Solidão
A solidão apavora um coração apaixonado e dilacera a alma. E a solidão tem várias faces.

Ora aparece na boca vazia que se vê triste no reflexo do espelho, lembrando dos beijos que a adocicaram, enlouqueceram, fizeram dela espetáculo de emoções, ora aparece no olhar que se perde na linha do horizonte, ou em alguma estrela qualquer que pontilha o céu nas noites azuis de primavera ou nas madrugadas glaciais de inverno. A solidão é como aquele raio de sol que vai enfraquecendo aos poucos, desaparecendo na fresta das portas ou das janelas, deixando a sala no lusco-fusco do entardecer, entregue às primeiras sombras da noite. É como aquela poltrona desocupada, à espera de alguém. A solidão é como vento de uma tarde fria e cinza de inverno que assobia uma canção de uma nota só, gelando os minutos e as horas. É como o lado vazio da cama onde já habitou um travesseiro e hoje não passa de um espaço que só traz lembranças. A solidão é como uma imensa avenida mal iluminada, por onde se anda devagar temendo os buracos, as armadilhas da esquina, as irregularidades das calçadas. E a minha solidão tem um nome, um nome que virou saudade .
Boa Tarde.
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