segunda-feira, 9 de maio de 2011

Como explicar?

Como explicar o amanhã que acorda em todas as alvoradas, deixando-se abraçar pelo sol que anuncia um novo dia. Como se explica cada anoitecer de um céu azul infinito, pontilhando-se de estrelas?

 Não tem como definir a doce sensação que olhares costumam transmitir quando se apaixonam e se buscam na multidão, querendo ficar a sós para compartilhar das mesmas alegrias, dos mesmos sentimentos, das mesmas trocas. Como explicar a brisa, que costuma nos acariciar a pele nos dias de primavera e nos envia aromas adocicados, afrodisíacos, inebriantes? Não dá para explicar a chuva, que acontece nas tardes tórridas de verão, refrescando a terra, molhando a relva, revigorando a passarada, dando novo alento à natureza em chamas. Como explicar o milagre da reprodução humana, que se faz da união universal de um homem e de uma mulher, na mais maravilhosa manifestação que o amor pode ter? Como definir o pensamento que se faz asas para viajar sobre montanhas, entre nuvens, sem medir distâncias e aproxima corações que se querem? Não tem como explicar a saudade que corta a alma, deixando um imenso e inexplicável vazio quando nos habita de forma incondicional, tanto quanto não dá para definir a divina alegria do reencontro. Como dimensionar a mensagem de um beijo que mistura paixão, desejo, entrega, busca e procura, êxtase na troca e na conquista? Como explicar a árvore, que nasce e cresce solitária, mas se faz antiga e protetora, refúgio de casais que se encontram em horas ocasionais? Difícil definir o que se sente quando as mãos procuram o toque da pele e nela buscam caminhos de prazer, não apenas para quem toca, mas também para quem é tocado. E como dizer do sentimento que acontece de repente, num simples gesto, num simples contato, numa simples palavra, numa declaração disfarçada e maliciosa? E tanto quanto é difícil explicar a natureza, tanto é difícil explicar o que sinto por ti. Mas o que importa é o que sinto. O resto é inexplicável.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Como tatuagem

Estou impregnada de ti.




Ocupas todos os meus espaços, minhas células, meus neurônios. Por isso, meus pensamentos, minhas noites mal dormidas, meus encantos, meus desencantos. Como ventania repentina em porta mal fechada, entraste na sala desarrumando cortinas, levantando poeira. És intruso em minha alma, mas não vivo sem teu aconchego, porque dele bebo, porque dele me alimento, porque dele respiro, porque dele consigo ver o mundo que se abre em policrômicas paisagens dos nascentes e poentes das estações. Na copa das árvores sinto o perfume que emana de ti, como se elas também possuíssem teu corpo. Isso não passa de loucura, mas como é doce essa loucura, como é amarga também. Quando te beijo, sinto vulcões, lava escorrendo pelas veias, fogo a crepitar no peito, fagulhas elétricas a guiar minhas mãos em direção a pontos cardeais paradisíacos. Mesmo conhecendo teus caminhos, faço questão de me perder. Dessa forma, desfruto mais tempo das delícias de tuas fontes e mananciais. Não me importa a rosa dos ventos, já que norte e sul, leste e oeste se confundem, se misturam, se enroscam e se perdem em encruzilhadas. Por elas passeio, volto ao ponto de partida, sem me importar em cruzar por ali outra vez. Teus montes, tuas cascatas, tão conhecidos meus, renovam-se a cada incursão. Assim são minhas viagens contigo. Assim passa o tempo e esqueço do mundo em teu universo. Como tatuagem, marcaste minha pele, deixaste teu brasão, tomaste posse de meu território, mas não peço reintegração.
Boa noite.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Tenho andado nesta vida por estradas que já nem lembro mais, deixando pelo caminho um pouco de saudade, um tanto de alegria, uma quantia imprecisa de sonhos e de ilusões.

 Talvez tenha sido feliz não tanto quanto queria, quem sabe bem mais do que merecia. Amei, fui amada, desprezei, fui desprezada, não sei quantas vezes me surpreendi chorando por algo que não conquistei, mas também sorri muitas vezes pelas vitórias obtidas. Hoje, tento reescrever minha história, encontrar um novo e grande amor, esquecer das desilusões, enfrentar a vida, sacudir a poeira da estrada e tentar partir para outras emoções. Sei que tudo é mais difícil. Sei que a trilha à minha frente será sinuosa e que montanhas escarpadas aparecerão pelo caminho, como sempre apareceram, mas é preciso ir em frente. É preciso esquecer o impossível de conseguir, entender o limite das coisas, não me atormentar com fracassos, porque, de uma forma ou de outra, tentei fazer a minha parte e isso já é um grande consolo. Preciso ter em mente que o mundo não se resume apenas num único caminho e que o amor tem várias faces embora nosso coração, muitas vezes, tente bater mais forte em uma única direção. Enquanto há vida, há esperança e, para ser feliz, é preciso, sempre, buscar um caminho no horizonte.
Boa tarde.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

História de Amor

Cruzamos nossos caminhos e nunca mais nos separamos. De um jeito ou de outro, estamos sempre juntos.



 

De um jeito ou de outro nos amamos em silêncio, como se a brisa falasse por nós, como se a música desse nossos recados. Disfarçamos, é bem verdade, mas sinto que a vontade é cada vez maior de dizer que te amo, que sem ti a vida não tem sentido, é vazia. Sinto que também tens o mesmo desejo, apesar de muito pouco transparecer de tua parte. Tentamos outras bocas, tentamos outros abraços, outros carinhos, mas é difícil esquecer um grande amor, uma história tão diferente, tão sonhada, tão especial. E a cada dia que passa o vazio da alma aumenta, mas a saudade parece o elo que nos une em cada pensamento, em cada lembrança, em cada passo, em cada anoitecer, em cada amanhecer. E quanto mais se tenta esquecer, mais a lembrança invade e castiga sem piedade. Quando se vive assim, é como um barco à deriva, a procura de um porto seguro para fugir do mar encapelado, mas a borrasca da tempestade impede a visão e a bússola quebrada não conduz a embarcação a lugar algum. Mas navegar é preciso, viver é preciso, ter esperanças é preciso, porque, mesmo resumindo a existência num só sentimento, é preciso continuar buscando a consolidação de uma verdadeira história de amor.
Bom dia, boa semana.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Só um milagre

Não sei se poderei trilhar outro caminho. Sinto que a passagem do tempo tem influência sobre meus atos.


Minha vida está vazia e sem sentido porque o amor que imaginei e quis ainda não veio. E me pergunto: será que ainda virá? Será que serei capaz de amar com todas as forças do meu coração? Será que conseguirei me fazer amar como sempre desejei? Dilemas. Dilemas de quem já perdeu muito tempo nesta vida e a vê passar diante dos olhos como se fosse um raio em dia de tempestade. Será que ainda terei a ternura de um abraço, o delicioso gosto de um beijo? Será que ainda ouvirei alguém dizendo que me ama? São perguntas que me afligem os dias, que me torturam as horas, que fazem de mim um alguém que nunca quis e nunca imaginei ser, principalmente a esta altura de meu tempo. Por isso me fecho em mim, porque, confesso, pouco espero dos meus dias e, aos poucos, vou perdendo a esperança de encontrar alguém que me queira de verdade, sem limites, sem vergonha de ser feliz, vendo mais minhas virtudes do que meus defeitos. E, sempre que penso nisso, tenho certeza de uma coisa: só mesmo por milagre voltarei a ter um amor e a ter o amor que sempre quis.
                                      Bom dia

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Solidão

A solidão apavora um coração apaixonado e dilacera a alma. E a solidão tem várias faces.

Ora aparece na boca vazia que se vê triste no reflexo do espelho, lembrando dos beijos que a adocicaram, enlouqueceram, fizeram dela espetáculo de emoções, ora aparece no olhar que se perde na linha do horizonte, ou em alguma estrela qualquer que pontilha o céu nas noites azuis de primavera ou nas madrugadas glaciais de inverno. A solidão é como aquele raio de sol que vai enfraquecendo aos poucos, desaparecendo na fresta das portas ou das janelas, deixando a sala no lusco-fusco do entardecer, entregue às primeiras sombras da noite. É como aquela poltrona desocupada, à espera de alguém. A solidão é como vento de uma tarde fria e cinza de inverno que assobia uma canção de uma nota só, gelando os minutos e as horas. É como o lado vazio da cama onde já habitou um travesseiro e hoje não passa de um espaço que só traz lembranças. A solidão é como uma imensa avenida mal iluminada, por onde se anda devagar temendo os buracos, as armadilhas da esquina, as irregularidades das calçadas. E a minha solidão tem um nome, um nome que virou saudade .
                                          Boa Tarde.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Amor, simplesmente amor

São tantas as razões, são tantos os motivos, mas nada importa quando o amor é verdadeiro. Amor, sublime amor, vence barreiras, enfrenta tempestades, mares bravios.



Amor verdadeiro enfrenta desafios, enfrenta limites, não conhece o perigo porque a ele encara. Por isso, quando a gente ama, o que tudo vale é estar perto, é sentir o perfume, a boca na boca, a ternura de um abraço. Amor verdadeiro se encanta apenas num sorriso, se consome à sombra da menor saudade, escreve histórias da maior paixão. Amor verdadeiro desabrocha com o sol todas as manhãs, faz poesias em noites de luar, é pura sedução na hora em que corpos se unem no jogo da conquista. Nada é mais forte do que esse amor. Nada é mais sublime do que esse amor. E esse amor não se traduz em palavras, nem em gestos, nem em explicações; ele não se explica, porque não cabe em si. Ao mesmo tempo, esse amor é invasor, poderoso, implode a alma, explode o coração na alegria do ter, na tristeza do perder. Um amor assim é transcendental, amor além da vida, que já existia antes mesmo do nascimento e que, aos poucos, foi se transformando num sentimento único, envolvente, senhor de todas as horas e de todos os pensamentos. Amor assim já senti e quero sentir de novo, quem sabe revivendo fagulhas, quem sabe no descortinar de um novo horizonte.
                                Bom dia.